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Meu nome é Ingrid Lotfi, tenho 27 anos, sou do Rio de Janeiro,
Analista de Sistemas, casada e tenho um filho de 2 anos, chamado
João Victor. Apesar de trabalhar com Informática, hoje tenho uma grande
afinidade com assuntos relacionados à gestação, parto e amamentação
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Quarta-feira, Outubro 27, 2004
Anestesia e Marketing
Esses textos que dizem que a anestesia é um avanço que surgiu para anular o "sofrimento" (e diversas outras sensações) do parto me lembrou uma palestra que eu assisti e que falava sobre marketing e qualidade. Dizia o quanto as empresas para mascarar seus problemas criavam mecanismos-de-produção-de-bem-estar no cliente para que ele não sofresse muito com o sistema mal-estruturado de atendimento.
O palestrante fazia críticas bem-humoradas se referindo às empresas que possuem uma preocupação muito maior em mascarar as falhas do seu sistema do que em modificar suas formas de atuação e assim diminuir o número vergonhoso de pessoas que procuravam o suporte.
Ele citava então casos em que a estrutura para resolver problemas era monstruosa, mas que aparentemente ninguém se preocupava em resolver o que gerava aqueles problemas. No exemplo que ele dava, os maiores gastos eram voltados para aumentar a infra-estrutura e o número de atendentes numa mega rede de atendimento, onde você é transferido de um para o outro, ouvindo sempre uma música clássica de preferência com propagandas da mesma empresa ao fundo... Tudo para tranquilizar o cliente e ele se sentir cuidado naquele momento...
Os clientes, quando iam à empresa pessoalmente, enfrentavam uma série de burocracias para serem atendidos, mas tudo muito bem informatizado, tudo muito bem decorado, sofás confortáveis, com secretárias bonitas e maquiadas, senha de atendimento computadorizada......... e uma sala de espera lotada, com ar condicionado e uma TV passando as maravilhas que eram os serviços prestados pela empresa...
Sabe? Tudo para tranquilizar o cliente e ele não perceber aquela triste realidade... que poderia ser bem melhor se houvesse empenho da empresa...
Ao invés de ouvir deles música classica e frases como: "Tudo pelo seu conforto e segurança" preferia ouvir algo mais sincero como: "Não somos capazes de te atender e disponibilizar uma forma adequada de atendimento, pois o sistema de telefonia existente é incompetente e não dispõe de uma infraestrutura necessária que evite que você procure frequentemente o nosso suporte. Pedimos desculpas e esperamos que no futuro possamos fazer as modificações necessárias, onde pouquíssimas pessoas nos procurarão para anular, sem resolver, os problemas que este sistema gera. Obrigado"
Seria mais simpático e honesto.
Troque o problema do cliente por "medo do parto", sistema de telefonia por "sistema obstétrico atual", e a infra-estrutura de suporte para resolver problemas gerados pelo sistema de telefonia por "anestesia para resolver problemas gerados pelo sistema obstétrico", como iatrogenia, frieza, solidão, medicalização, etc" e verá que a anestesia não vem para aliviar a dor das mulheres, mas é um recurso que existem para amenizar os estragos e malefícios que o sistema excessivamente medicalizado e tecnocrático gera, causando o parto não um momento de paz e tranquilidade, mas uma tortura, e de fato: um sofrimento. Nesse momento, a dor do parto passa de um desconforto, para uma dor de desqualificação, de solidão, de agressão. E este tipo de dor sim, pode ser insuportável.
escrito por
INGRID LOTFI em 4:51 PM
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Quinta-feira, Outubro 14, 2004
Obstetra e Parteira?
Quando a Nasa iniciou o lançamento de astronautas, descobriram que as canetas não funcionariam com gravidade zero.
Para resolver este enorme problema, contrataram a Andersen Consulting, hoje Accenture.
Empregaram uma década e 12 milhões de dólares.
Conseguiram desenvolver uma caneta que escrevesse com gravidade zero, de ponta cabeça, debaixo d'água, em praticamente qualquer superfície incluindo cristal e em variações de temperatura desde abaixo de zero até mais de 300 graus Celsius.
Os russos usaram um lápis!!!!!
escrito por
INGRID LOTFI em 10:27 AM
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Segunda-feira, Outubro 04, 2004
Cremerj publica denúncia falsa em jornal interno
Semana passada, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro gerou sério constrangimento entre muitos profissionais de saúde ao publicar em seu jornal de circulação interna uma denúncia falsa.
A notícia inverídica de que um bebê teria falecido na Casa de Parto David Capistrano Filho, em Realengo, foi publicada levianamente pelo Cremerj por meio de denúncia proveniente da coordenação do Grupo de Trabalho Materno-Infantil, que é representado pelo conselheiro Dr. Abdu Kexfe. Este comunicado mencionava que o bebê havia chegado morto ao Hospital Albert Schweitzer, sendo que é de conhecimento público que o hospital de referência da Casa de Partos de Realengo é o Hospital Alexandre Fleming. Não houve nenhuma intercorrência no Centro de Parto Normal que tenha resultado em transferência de um bebê grave ou morto para qualquer hospital. Além disso, jamais existiu convênio entre Secretaria Municipal de Saúde e qualquer UTI neonatal privada - outra desinformação também veiculada na matéria publicada no jornal interno deste Conselho.
As inverdades publicadas não pararam por aí, outro estabelecimento público também foi envolvido. Na mesma matéria, as enfermeiras obstétricas da maternidade Herculano Pinheiro foram acusadas injustamente de terem prejudicado um bebê por gerar um clima de privacidade e intimidade através da redução das luzes do ambiente. O bebê nasceu com malformação congênita e veio a falecer dias após o parto, sem que houvesse qualquer relação entre a intensidade da iluminação do local do nascimento e sua morte, e sem que houvesse qualquer impedimento à assistência prestada pelo pediatra no momento do parto.
Ao divulgar informações sem qualquer conexão com a realidade, os atuais representantes do Cremerj demonstram cabalmente estarem desprovidos de argumentos embasados cientificamente. Além disso, demonstram claramente seu repúdio à nova filosofia que privilegia o bem estar de mães e bebês e questiona a realização de procedimentos desnecessários - esses sim, geradores de cascatas de intervenções que podem acarretar consequências imprevistas e nefastas, tanto à mãe como ao seu filho.
Na ausência de argumentos sólidos e embasados, apelam para a difamação e a maledicência dos serviços públicos comprometidos com o bem-estar da população. Através destes artifícios, buscam confundir profissionais preocupados com o bem-estar de sua clientela, bem como as milhares de mulheres que buscam um atendimento de qualidade, com respeito e dignidade no parto.
Aparentemente os integrantes da direção do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro desconhecem evidências científicas mais atualizadas que mostram que casas de parto são uma realidade no mundo inteiro, principalmente em países de menor taxa de mortalidade materna e neonatal. A introdução desse novo ambiente para prestação de assistência ao parto representa uma possibilidade de tratamento diferenciado e de qualidade para grávidas de risco habitual, que não precisam de cuidados intensivos, caros e desnecessários para dar à luz seus bebês. Esse desconhecimento dos atuais conselheiros do Cremerj somente gera constrangimentos entre profissionais que buscam seu aprimoramento através da adesão a uma medicina baseada em evidências científicas, além de provocarem conflitos corporativos que não introduzem melhorias nos resultados na assistência ao parto.
O Rio de Janeiro possui a maior taxa de mortalidade materna e neonatal da Região Sudeste. Além disso, cerca de metade dos partos cariocas são cesarianas (IDB 2003), representando maus indicadores de assistência à gestação. A Organização Mundial de Saúde recomenda que a taxa de cesarianas em qualquer contexto nunca ultrapasse os 15%.
Ao contrário do apregoado pela atual direção do Cremerj, os dados da Casa de Parto têm sido excelentes e animadores. Todas as taxas de intervenções estão dentro do que é recomendado pela OMS e as raras transferências necessárias estão sendo realizadas com tranquilidade e segurança, para o Hospital de referência, Alexandre Fleming.
Os representantes do Cremerj vem tentando já há algum tempo impedir a população carioca de ter acesso à assistência nas Casas de Parto. Houve um mandado de segurança e, em julho deste ano, uma liminar foi concedida pela juíza Neusa Regina Larsen de Alvarenga Leite, da 5ª Vara de Fazenda Pública. Nesta se determinava que a Secretaria Municipal de Saúde contratasse médicos obstetras, anestesistas e pediatras para trabalharem na casa de parto. A Secretaria Municipal recorreu e, no final do mês de Agosto, esta mesma liminar foi revogada pela juíza Eunice Bitencourt Haddad, pois reconheceu, justamente, que a Casa de Parto de Realengo encontra-se dentro dos padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Não tendo alcançado o seu intento, a atual direção do Cremerj desta vez apela para a desinformação infamante, ainda que em informativo de circulação interna. A Secretaria Municipal de Saúde está processando o Cremerj por calúnia e difamação e vai exigir indenização por possíveis danos morais ocasionados pela notícia.
Finalmente, A ReHuNa-RJ (Rede pela Humanização do Parto e Nascimento/RJ) vem a público questionar: O que tem feito esse Conselho Regional para reduzir as taxas de intervenções desnecessárias e de mortalidade materna e neonatal dos partos hospitalares, que somam 98% na cidade do Rio de Janeiro? E por que há tanto interesse em combater e difamar as propostas humanistas e os outros profissionais, também capacitados para a assistência ao parto, se é exatamente esse modelo "fora do hospital" que tem obtido maior sucesso no propósito de atingir os índices sugeridos pela OMS? E até quando os dirigentes do CRM do Rio de Janeiro priorizarão a reserva de mercado e o corporativismo médico em detrimento da saúde das parturientes e seus bebês?
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Rede pela Humanização do Parto e Nascimento
Rio de Janeiro
escrito por
INGRID LOTFI em 5:25 PM
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Terça-feira, Setembro 28, 2004
Radicalmente contra...
... a má utilização da palavra "radical" !! ;o))
A palavra radical tem sido utilizada na maioria das vezes com um sentido muito mais negativo do que positivo. A palavra foi banida do rol das virtudes e incluída nos vícios.
A origem da palavra vem do latim "radicale" que significa "da raiz". Ou seja, ir onde dá a vida, onde surge a sustentação.
Eu diria que ser radical, seria voltar às raizes e inovar, pois não nos conformamos com as rotinas estabelecidas e por conhecermos caminhos melhores, mais seguros, mais saudáveis.
E para inovar em meio aos fortes paradigmas estabelecidos, é preciso enfrentar um grande desafio. É preciso ser corajoso, destemido. Arrojado na defesa dos nossos princípios. Destemido e corajoso para não sucumbir aos interesses escusos, às pressões, mas permanecer fiel aos objetivos.
Eu gosto muito da Heloísa Helena. No entanto, o termo radical designado a ela, nunca (ou quase nunca) é dado como forma de elogio. Ela é a pessoa dissonante, é a inconformada, a que nunca está satisfeita. E por esses motivos é que ela é "taxada" de radical. Não por ela ser batalhadora, autêntica, e perseguidora dos seus ideais. Ela tem seu partido. O partido dos seus princípios. Um partido sem siglas, sem cor e sem nome. Ela tem o partido dela mesma. No entanto, nossa sociedade não só é condescendente, como valoriza e compreende exatamente o contrário, onde não importa ter opinião formada, e sim ficar em cima do muro, para cair para um lado ou para o
outro dependendo dos seus interesses no momento. Por isso é tão difícil ser ativista.
Mas será que não seria interessante sermos radicais com o direito de nos expressarmos livremente, sem medidas de exceção?
Numa época em que vários níveis de gerações debatem idéias, onde culturas se chocam e novos conceitos surgem, é preciso compreender o sentido do que é ser radical.
Para os jovens, ser "radicaaaaal", diz respeito à sua irreverência inovadora. Falam, e se vestem diferente, praticam esportes "radicaaais",
fazem campanhas, alertas, sensibilizam as pessoas com as questões sociais (camisinha, drogas, câncer de mama, abuso de cesáreas, aleitamento materno, etc).
Mas então por que estes movimentos são muitas vezes criticados, injustamente, por indivíduos demasiado conservadores?
Graças a Deus, vivemos numa democracia, ou se não vivemos, deveríamos.
Temos pleno direito de ultrapassar os limites, alterar o usual, e sermos livres.
Temos pleno direito de sermos felizes, realizar sonhos e desejos, nem que seja através da nossa, digamos, irreverência.
É assim que evoluímos, é assim que fazemos que o futuro aconteça.
Sejamos sim, ativistas.
De peito aberto, falaremos alto e assumiremos nossos ideais.
Criticaremos paradigmas.
Questionaremos atitudes.
Mas não julgaremos as pessoas, não as criticaremos pelas suas atitudes, na maioria das vezes tomadas sem o apoio e o discernimento necessário na época..
Ao contrário disso, docemente levaremos a informação e compreenderemos que para mudar algo, é preciso ir na raiz - não nos nós. É preciso pressionar quem está em cima, não as pessoas que sofreram as consequencias do sistema existente.
Radicais vão às raizes, não aos terminais.
escrito por
INGRID LOTFI em 12:01 PM
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